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Conheça 5 regras náuticas que tornam a navegação segura

Escrito por Social Boats

Assim como existem regras para os carros e para os aviões, no mar também existem normas. Os veículos marítimos precisam obedecer leis e regras náuticas que dizem respeito a manobras, sinalização, áreas de navegação e preferência. Esses cuidados são fundamentais para tornar a navegação mais segura e garantir o conforto dos passageiros.

Continue a leitura deste post e conheça as principais diretrizes e recomendações que interferem no dia a dia de um comandante.

1. Regras em relação à realização de manobras

Todas as manobras devem seguir o Regulamento Internacional Para Evitar Abalroamentos no Mar (RIPEAM), estabelecido pela Marinha do Brasil. Reunimos neste tópico os principais casos.

Uma das situações mais comuns é a roda a roda, quando duas embarcações se aproximam em rumos diretamente ou quase diretamente opostos, de forma que há risco de abalroamento (colisão).

Nesse caso, cada navegador deve guinar para boreste — lado direito da embarcação — e usar a sinalização verde. Em seguida, a passagem ocorrerá por bombordo (lado esquerdo) um do outro. Mesmo que não haja total segurança de que essa situação existe, deve-se manobrar dessa forma.

Em um canal estreito ou via de acesso, recomenda-se navegar o mais perto possível do limite exterior do canal ou da via de acesso. Quando uma embarcação estiver ultrapassando a outra, deve afastar-se do caminho da alcançada. Isso acontece quando o barco vem em uma direção que fique mais de 22,5º para ré do través do barco alcançado.

Quando os barcos estiverem em rumos cruzados podendo colidir, a embarcação que visualizar a outra por estibordo deve afastar-se e evitar a sua proa. Essas manobras devem ser executadas antecipadamente, com sinalização e comunicação clara.

2. Sinalização do barco durante o uso

As formas mais comuns de comunicação no tráfego aquaviário acontecem por meio de 5 elementos: luzes, marcas e sinais sonoros, visuais e luminosos. Essa sinalização deve ser seguida a risco para garantir a segurança.

Basicamente são 7 tipos de luzes, cada uma para um fim específico:

  1. luz de mastro;

  2. luzes de bordo;

  3. luz de alcance;

  4. luz de reboque;

  5. luz circular;

  6. luz intermitente;

  7. luz intermitente especial.

Para emitir um sinal sonoro, usa-se um apito. A duração do som pode ser curta (aproximadamente 1 segundo) ou longa (entre 4 e 6 segundos). Durante as manobras, os sons mais comuns são:

Tipo e duração do silvo

Mensagem

1 curto

Guinando para boreste

2 curtos

Guinando para bombordo

3 curtos

Dando máquina atrás

2 longos e 1 curto

Quero ultrapassá-lo pelo seu boreste

2 longos e 2 curtos

Quero ultrapassá-lo pelo seu bombordo

1 longo, 1 curto, 1 longo e 1 curto

Concordo com a sua ultrapassagem

5 curtos

Não entendi sua intenção de manobra

1 longo

Aproximação de área onde embarcações podem estar ocultas devido a obstáculos

3. Normas quanto às áreas de navegação

De acordo com a Superintendência de Segurança do Tráfego Aquaviário da Diretoria de Portos e Costas da Marinha, a principal causa de acidentes em embarcações é a falha humana. As lanchas e motos aquáticas estiveram envolvidas em 70% dos casos registrados com embarcações de esporte e recreio durante o verão de 2015/2016.

Essa estatística reforça a necessidade de obedecer às normas referentes às áreas de navegação. A Lei Federal 9537/97 e suas normas complementares regulamentam a segurança do tráfego aquaviário. Ela indica as três principais áreas de navegação:

Navegação Interior

São as áreas totalmente ou parcialmente abrigadas de mau tempo, onde as tempestades que acontecem em mar aberto não alcançam ou alcançam em menor intensidade. Na NORMAM-03/DPC, elas são classificadas em duas áreas.

Navegação Interior 1

Composta por áreas abrigadas, como lagoas, lagos, baías, angras, rios e canais. Nessas regiões não há ondas com alturas significadas para dificultar o tráfego das embarcações.

Navegação Interior 2

Possui áreas parcialmente abrigadas, como hidrovias interiores, lagos, baías, lagoas, angras, rios e canais que hajam ondas com alturas significativas ou condições ambientais adversas que dificultam a navegação — vento, correnteza ou maré.

Nas duas situações, a condução precisa ser feita por arrais-amador, veleiro ou motonauta. As áreas de navegação interior são estabelecidas pela Capitania dos Portos de cada estado, com base nas peculiaridades locais.

Navegação em mar aberto

Como o próprio nome diz, acontece em águas marítimas desabrigadas e é subdividida em dois grupos: Navegação Costeira e Navegação Oceânica.

Navegação Costeira

Acontece dentro dos limites de visibilidade da costa, mantendo a distância máxima de 20 milhas náuticas. Deve ser comandada por um Mestre-Amador.

Navegação Oceânica

Também chamada de sem limites (SL), pode ser realizada além da visibilidade da costa. No caso, só se vê o céu e o mar. O comando deve ser realizado por um Capitão-Amador.

A NORMAM-07/DPC indica as áreas de segurança que são proibidas para a navegação. Embarcações que desrespeitarem essa norma estarão sujeitas à fiscalização e autuação das equipes de inspeção.

4. Regras básicas de preferência dos veículos

A regra da preferência indica quem deve realizar a manobra, e isso depende da propulsão, do emprego e da situação da embarcação. Confira no quadro a seguir:

Natureza da embarcação

Realiza manobra em relação a

Embarcações com propulsão mecânica

Sem governo, à vela, engajada na pesca e de manobra restrita

Embarcações à vela

Sem governo, engajada na pesca e de manobra restrita

Embarcações engajadas na pesca

Sem governo, de manobra restrita

Embarcações de manobra restrita

Sem governo

5. Orientações de segurança

Para evitar acidentes com os banhistas, os condutores não devem transitar em áreas de até 200 metros da praia. As embarcações devem respeitar o limite de passageiros e ter essa informação em um local visível.

Os coletes salva-vidas devem ser disponibilizados a todos os passageiros. O uso é obrigatório para menores de 12 anos e para maiores de 65 anos. Antes de iniciar o passeio, o comandante deve demonstrar como utilizar o equipamento.

Quem já comanda uma embarcação ou pretende se aventurar nessa área, tem por obrigação conhecer bem as regras náuticas e as medidas de segurança para tornar a navegação mais segura. Conversar com condutores mais experientes também é algo proveitoso para quem tem interesse em navegar.

Gostou de saber um pouco mais sobre as regras náuticas? Restou alguma dúvida sobre o assunto? Deixe um comentário!

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